22 setembro, 2005

Tributo...

(Mário Quintana)

O amor e admiração que tenho pelos nossos poetas não é segredo.
Mas há um maior "chamego" meu com alguns...
Aqueles que não só manipulam as palavras pra falarem o que sentem...
Mas também cometem o crime permitido de nos desnudarem, na essência humana, deixando-nos à mostra, até de nós mesmos.

Um exímio poeta na arte do tirar as máscaras humanas é Mário Quintana, pelo qual guardo um carinho e admiração ímpar.
Afeito ao verso curto, teve a sagacidade de dizer tudo em poucas palavras... Descrever o mundo em pensamentos curtos... Desvendar os mistérios da natureza humana em poucas linhas.
Devo admirá-lo por ser tagarela, mas acho mesmo que o estimo pela sinceridade de seus versos e pela perspicácia de suas palavras.

Sabendo dessa minha admiração por Quintana, um outro poeta, amigo meu, e a quem reservo uma admiração similar, presenteou-me com uma de suas obras, recentemente redescoberta entre seus papéis esquecidos com o tempo.

Disse ao Marco Antonio Campos que sou suspeita para falar de ambos os poetas... pois moram no meu coração. Sei que não é a melhor obra dele (e poderia provar aqui o que eu digo, caso ele deixasse de ser teimoso e publicasse logo o bendito livro... rs) mas é de uma verdade magnífica acerca de um poeta maior a quem tanto admiramos.

Então... feliz pela concessão feita a mim, como musa à posteriori, para publicar o poema aqui no M@r... Deleitem-se...



DE CORAÇÃO
Marco Antonio Campos

Quintana, meu rei!
Me digas como sabes tanta coisa
de mim que nem mesmo eu sei?
Desculpe, mas sou o intruso imoral
que invade a tua poesia.
E muito mal!
Mas te digo sinceramente.
Nem eu mesmo falaria
tão bem das coisas que sinto.
Talvez o intruso sejas tu,
pois aparentemente
és quem me desmascara.
E ainda divulgas que estou nu?


Quintana, meu sábio!
Esqueças minha alma imunda
que a beleza de teus poemas macula.
Não me desfolhes mais.
Faças assim: uma poesia que dissimula
os segredos que o leitor esconde.
Presunçoso demais?
Que nada! Quintana, meu caro!
Me conheci melhor pelos teus versos.
E se pareço em desamparo,
é somente outra ilusão.
Só queria te agradecer.
Muito obrigado, de coração!


Beijocas da Cauzzinh@...

2 comentários:

  1. Duas vezes obrigado. Primeiro pela publicação de um texto meu. E também pelas lindas palavras de introdução. Quanto ao livro estou aceitando doações para ajudar nas despesas....rsrs.
    Mário Quintana tinha mesmo o dom peculiar de invadir a alma do leitor e o displante de contar o que via para todo mundo. Quase um fofoqueiro em versos.
    Beijos Cacau. *De Coração*

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  2. **HOMEM COM SENHA10:44 PM

    "Quero fazer os poemas das coisas materiais,
    pois imagino que esses hão de ser
    os poemas mais espirituais.
    E farei os poemas do meu corpo
    E do que há de mortal.
    Pois acredito que eles me trarão
    Os poemas da alma e da imortalidade."
    E à raça humana eu digo:
    -Não seja curiosa a respeito de Deus,
    pois eu sou curioso sobre todas as coisas
    e não sou curioso a respeito de Deus.
    Não há palavra capaz de dizer
    Quanto eu me sinto em paz
    Perante Deus e a morte.
    Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
    Embora de Deus mesmo eu não entenda
    Nem um pouquinho...
    Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?
    Por mim, de nada sei que não sejam milagres...
    Cada momento de luz ou de treva
    É para mim um milagre,
    Milagre cada polegada cúbica de espaço,
    Cada metro quadrado de superfície
    Da terra está cheio de milagres
    E cada pedaço do seu interior
    Está apinhado de milagres.
    O mar é para mim um milagre sem fim:
    Os peixes nadando, as pedras,
    O movimento das ondas,
    Os navios que vão com homens dentro
    - existirão milagres mais estranhos?" (Walt Whitmann)

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