29 dezembro, 2005

Faxina da alma...


FAXINA DA ALMA

Estava precisando fazer uma faxina em mim...
Jogar alguns pensamentos indesejados fora,
lavar alguns tesouros que andavam meio que enferrujados...


Então tirei do fundo das gavetas
lembranças que não uso e não quero mais!
Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões...

Papéis de presente que nunca usei,
sorrisos que nunca dei;
joguei fora a raiva e o rancor das flores murchas
que estavam dentro de um livro que nunca li.

Olhei para os meus sorrisos futuros
e minhas alegrias pretendidas...
e as coloquei num cantinho,
bem arrumadinhas.

Fiquei sem paciência!...

Tirei tudo de dentro do armário
e fui jogando no chão:
paixões escondidas, desejos reprimidos,
palavras horríveis que nunca queria ter dito,
mágoas de um amigo,
lembranças de um dia triste...

Mas lá também havia outras coisas... e belas!!!

Fui me encantando e me distraindo,
olhando para cada uma daquelas lembranças.

Um passarinho cantando na minha janela...
aquela lua cor de prata, o pôr do sol ...
Sentei no chão, para poder fazer minhas escolhas.

Joguei direto no saco de lixo
os restos de um amor que me magoou.

Outras coisas que ainda me magoam,
coloquei num canto para depois
ver o que farei com elas,
se as esqueço lá mesmo
ou se as envio para o lixão.

Peguei as palavras de raiva e de dor
que estavam na prateleira de cima,
pois quase não as uso,
e também joguei fora no mesmo instante!


Aí, fui naquele cantinho,
naquela gaveta que a gente guarda tudo
o que é mais importante:
o amor, a alegria, os sorrisos,
um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos...
Como foi bom relembrar tudo aquilo!!!

Recolhi com carinho o amor encontrado,
dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança,
passei um paninho na prateleira das minhas metas,
deixei-as à mostra, para não perdê-las de vista.

Coloquei nas prateleiras de baixo
algumas lembranças da infância,
na gaveta de cima as da minha juventude e,
pendurado bem à minha frente, coloquei a minha
capacidade de amar...

e principalmente de RECOMEÇAR...


*(Desconheço a autoria)

Às vezes, a Literatura nos surpeende...
Vemos nas palavras de outros
aquilo que sentimos e desejávamos ter dito.
Eis um exemplo disso...
Faço minhas as palavras desse texo...


Cauzzinh@...

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