06 fevereiro, 2007

Baú sem chave.


Já contei a vocês que tenho um baú?

É... um baú. Você deve ter pensado numa daquelas peças antigas, bonitas, de madeira perfumada e de verniz lustroso que geralmelte são deixadas pelas avós pra as netinhas mais românticas.

Não é o meu caso.

Na era da tecnologia meu baú é um arquivo. Lá está escrito: Baú sem chave. É um arquivo onde guardo os textos escritos por mim.

Por que sem chave?

Bom... já ouviram falar na caixa de Pandora*? Pois é... é assim que vejo este meu baú. Sempre que o abro sei que vou ter um reencontro com sentimentos fortes, passados... tão significativos pra mim que geraram uma escrita. (Se vocês bem lembram, não sou muito afeita à escrever de prória pena. Sendo assim, o que escrevo sempre me parece distorcido, sem cor, sem forma definida... sem muita beleza pra ser visto. Guardo lá. Deixo ficar... esquecer). Mas escreve... é meu transbordamento.

Algumas vezes tomo coragem e dou vazão à esses escritos e mostro-os por breve espaço de tempo.

Mas tive uma perda... na era da tecnologia computadores precisam ser formatados, cds perdem a qualidade e baús são perdidos. :o(

Já não achava meu antigo baú.

Fiz outro... mas estou em outra fase... uma de abri as 'caixas de pandora' e ver os sentimentos voarem. Espero, muito intensamente, que os desastres sejam menores que o esperado...

Aqui e alí mostrarei o que me sobrou do Baú... coisas que deixei registradas aqui e alí, em raros momentos de coragem, ou de encorajamento por aqueles que me lêem ou dos portadores do sentimento que me levou a escrever.

Abramos o baú... uma coisinha pequena. Não quero me assustar depois. :oP

Bichinho Estranho

Sou um bichinho estranho
Que ninguém entende
Que lacrimeja rimas
jamais ouvidas
Que chora poemas
jamais lidos
Serei poeta?

* Caixa de Pandora é uma expressão utilizada para designar qualquer coisa que incita a curiosidade mas que é preferível não tocar (algo do tipo "a curiosidade matou o gato"). Tem origem no mito grego da primeira mulher, Pandora, que por ordem dos deuses abriu um baú onde se encontravam todos os males que desde então se abateram sobre a humanidade, ficando apenas aquele que destruiria a esperança no fundo do recipiente.

Clau ...





2 comentários:

  1. Também tenho meu baú em meu pc. Guardo lá textos que não tenho coragem de publicar, hehehe...Coisas mais "sórdidas" eu diria. =P
    Mas, vez ou outra, o visito, apenas para me inspirar ou ver como eu via determinada situação á tempos atrás.
    Perceber que mudei, que minhas verdades não saõ imutáveis (aliás verdade nenhuma é) e escrevo, muitas vezes, sobre o mesmo tema mas com uma nova forma de encará-lo.
    Os vejo sob novos ângulos, sob outro prisma. Isso se chama "crescimento".
    Mas é fundamental que tenhamos guardados em nós cada fase de nossas vidas, cada momento especial, mas os guardemos não em baús, os guardemos nas paredes de nossas memórias mais sublimes.
    São parte de nosso tesouro...

    Beijos, professora. =)

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  2. To começando meu baú tecnológico, Cauzinha... mas eu tenho um caderno-baú com a 'antiguidade'.. rsrs

    Eu adorei o poema... a-do-rei.. sem puxa-saquismos que a senhora sabe bem que eu tbm detesto isso..
    gostei mesmo.. simples..

    Beijos

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