29 setembro, 2006

...


À MORTE


Florbela Espanca


Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.


Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.


Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!


Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera... quebra-me o encanto!


3 comentários:

  1. afffff...noooossa....gosto muito de Florbela....mas alguns poemas são tão trsites...e tão fortes que doem fisicamente na gente!!!!!

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  2. Lindo de viver isso heim, Choquis... afe.

    Mas num tá meio mórbido não? hum? diz prá mim... conta aqui...

    Beijosssss

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  3. Um soneto caprichado, embora o tema me aflija. Eu já escapei de dona morte, mais de uma vez (tem curtos circuitos lá no meu "Fractais"). Mas Florbela é o máximo. Ótima escolha Cauzinha! Um beijo e um excelente final de semana!

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