31 março, 2007

As palavras certas...

Procurei as palavras certas pra dizer o que eu sentia.
Por dias... não as achei. Vali-me do que disseram.
E leram-me a alma.
Finais de ciclo. Início de ciclos.
Vida

por Cau Alexandre

ATREVIDA


Isabella Taviani



Estou mais atrevida
Mordaz e ferina
Estou cheia de vida
Sagaz e ladina
Já não sou mais a mesma
Respiro outros ares
Navego outros mares
São tantos olhares
Convites, sorrisos
Eu gosto eu preciso

Pois é...
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Por isso me esqueça
Virei a cabeça

Nas noites mal dormidas
Rezava seu nome
Olhava na janela
Chorava seu nome
Mexia em sua roupa
Gemia seu nome
Morria de sede
Subia as paredes
Me amava sozinha
Você não me vinha

Pois é....
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Já não me inicia
Já não me arrepia

Estou mais atrevida
Tô cheia de vida
Você não me provoca
Nem quando me toca
Agora eu tenho
É fome de homem
Que seja feliz

Estou mais atrevida
Tô cheia de vida
Você não me provoca
Nem quando me toca
Agora eu tenho
É fome de homem
Que seja feliz








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Isabela Taviani -
Atrevida

27 março, 2007

Surpresas


Vamos combinar...
Quem não adora uma boa surpresa?
Eu simplesmente A D O R O!
As boas surpresas são as menos esperadas. Aquelas que você acha que nunca aconteceriam. Não que sejam difíceis. Geralmente é porque naquele momento você não consegue vê-las acontecendo.
Também não precisa ser uma grandeeeee surpresa. Algumas vezes é algo tão simples que nem o 'autor' da dita percebe o ato.

O amigo que encontramos, por acaso, depois de anos sem contato.
Aquela notinha de R$ Real que achamos no bolso da calça, esquecida.
O convite inesperado pra fazer algo que você gosta muito.
O livro que há anos não líamos e de repente cai na nossa cabeça quando abrimos o armário.
A adorada calça jeans que te cabe novamente.
As palavras de algum 'conhecido' (aquele que te parecia ser tão distante) que tão derrepentemente tomam a forma de um mantra calmante ou de algum psicotrópico altamente exitativo que te faz seguir em frente.

Ahhh!!! Tantas surpresas...
Surpresas nem sempre são o que achávamos que seriam, mas quando são boas isso não importa. Elas abrem os olhos pra novas possibilidades, novos rumos, novos caminhos. Elas acendem um farol 'de milha' pra enfatizar a tal 'luz no fim do túnel'.

Um texto no qual você se lê, assim sem capas, desnuda, completamente sem máscaras.
Um poema que, do nada, ELE te mandou, e que te fez senti-lo tão perto naquele momento.
Um texto que sai de ti assim, de pronto, parecendo que estava ali, na ponta dos dedos, só esperando a hora exata de 'nascer'.
O olhar guloso dELE, quando você passa só de toalha e deixa aquela frestinha mostrando o ladinho do seu corpo molhado (e ELE achando que você não percebeu)
As mãos safadas dELE, aliadas à sua boca faminta são uma surpresa M A R A V I L H O S A!
Rosas num dia qualquer
Bilhetes deixados propositalmente na agenda
Ligações no meio do dia... A ligação.

Surpresas nos dão vontade de acreditar novamente. Mesmo quando tudo aponta pra um fim desastroso, mesmo quando perdemos a fé, mesmo quando achamos que não há mais solução nesta humanidade besta, quando 'amigos' se mostram tão indignos desse título, quando os amores alheios não são tão infinitos assim, quando tudo parece que perdeu a graça, AÍ TEMOS GRANDES BOAS SURPRESAS.
A vida vale a pena por esses pequenos e grandes momentos surpreendentes que nos mostram como é bom viver a vida intensamente, amar e ser amada, amar a si mesmo antes de dizer 'eu te amo' pra alguém, fazer e preservar grandes amizades, deixar gente nova se aproximar de você, errar e ainda poder levantar e dizer 'vou tentar outra vez', procurar gente boa que há muito tempo você não tem notícias, ouvir boa música, ouvir música ruim pra rir com os amigos, conversar até de madrugada, rir, beber vinho e coca-cola, comer churrasco, lazzanha (e o 'diabo a quatro' que der vontade), tomar sorvete em dia quente, ser apaixonante, apaixonável e apaixonada, beijar na boca, ser beijada nos olhos, ser beijada (hummmmm... em tudo e em qualquer lugar), sorrir fazendo amor, chorar, sentir-se gostosa, amada, desejada, querida, gozar aos berros, gozar a vida, sentir-se feliz!!!

Doces surpresas...

Vida surpreendente essa nossa!!!

por Cau Alexandre


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Corinne Bailey - Put your records on

25 março, 2007

Inteiros...

Amo
Amo-te
Amo-o
Em 1ª, 2ª e 3ª pessoas
Amo-te pelo que és, pelo que não és
Amo-te pelo que sou contigo
Amo-te pelo que não seria sem ti



Amo teus olhos
Teu jeito de me olhar
Quando só com olhos, impaciente,
diz-me trocentas vezes
que estamos atrasados
Quando censura minha saia
Quando me encaras
na descida da escada
parecendo uma criança
esperando seu doce
Quando eles sorriem de satisfação
Quando acordo diante
do teu olhar que me fita
Quando te vejo dormir





Amo tuas mãos
Que jamais cansam de ser meu apoio
Que gesticulam
em uma sinfonia surda
quando estás nervoso
Quando desarrumam meus cabelos
Quando me puxam ao teu encontro
Quando, enfim, me acalmam
Ou me enlouquecem de vez
Achando os lugares certos
que elas já sabem
serem sempre bem-vindas




Amo teus pés
Que vêm sempre
ao encontro dos meus
Que me procuram na multidão
Que aquecem os meus
nas noites frias
Que criam um laço contorcionista
Garantindo que os meus
jamais saiam de perto dos teus




Amo tua boca
Quando me beija
Quando me xinga
Quando me exalta
Quando me censura
Quando sorri daquele jeito
que só você sabe
Quando devagarinho diz
Que me ama





Censuro teu ouvidos
Mas amo-os
Pois nem sempre me escutam
Que brincam
com minha paciência
Mas que me surpreendem
Pois nessa brincadeira
de faz de conta
Ouves o que é necessário
nessa minha tagarelice cotidiana



Amo tuas palhaçadas e teus momentos sérios
Amo tua falta de jeito e tua sensatez
Amo teu olhar de criança
Diante das minhas descobertas
E teu olhar idoso
Dainte das minhas insanidades



Amo tuas virtudes
E igualmente teus defeitos
Que te fazem único
Tuas dádivas e teus anseios
Tuas palavras e tuas ações
Teus rompantes e tuas quietudes
Diante das minhas loucuras
És meu complemento
Meu outro inteiro



E, se um dia
Não houver mais ‘nós’
Certamente haverá eu em ti
E tu em mim
Porque quando se vive tanto amor
não se parte ao meio
Se vai mais inteiro do que se chegou


por Cau Alexandre

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Rod Stewart -
The way you look tonight

Correr Riscos

"Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco
de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão
é correr o risco de perder as pessoas.

Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.

Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.

Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.

Somente a pessoa que corre riscos é livre!"

Seneca



Que se Dane!!!

EU VIVO


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Biquíni Cavadão -
Chove Chuva

22 março, 2007

Sossego



Porque há horas em que há de se dizer:

...


Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim...
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros — cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?"


(Tenho pena e não respondo - Fernando Pessoa)





Então... que minha loucura


seja meu alento.


E que minha indefinição


seja meu ponto de apoio.


Que minha tênue linha


do que eu sou e do eu não sou


Só seja compreendida


por quem se empenhar


E não esperem ajuda...


Eu não vim me explicar


Eu vim.


E isso já é mais que suficiente!!!

por Cau Alexandre




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Louis Armstrong - Just a gigolo

20 março, 2007

História de criança...

Houve um tempo, bem lá atrás na minha história, em que eu cultivei verdadeira admiração por uma coluna do Pedro Block, na revista Pais & Filhos. Nem sei quando isso começou. Meados da pré-adolescência, acho.

Eram histórias de crianças menores que eu. Muito engraçadas. Sempre achei que ele escolhia as melhores. Adorava. Na verdade, adoro até hoje.

"Um dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar os pratos na cozinha. De repente, percebeu que sua mãe tinha vários cabelos brancos que sobressaíam entre a sua cabeleira escura. Olhou para sua mãe e lhe perguntou:
— Porque você tem tantos cabelos brancos, mamãe?
A mãe respondeu:
— Bem, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar ou me deixa triste, um fio de meus cabelos fica branco.
A menina digeriu esta revelação por alguns instantes e logo disse:
— Mãe, porque TODOS os cabelos de minha avó estão brancos?"

Eu que sempre fui de rir muito, caia na gargalhada. Me rendia diante sa perspicácia daquelas "crianças". Mas sabia eu que ainda era uma delas.

"Uma professora de escola bíblica estava discutindo os dez mandamentos com seus pupilos de 5 e 6 anos. Depois de explicar o mandamento de "honrar pai e mãe", perguntou:
— Tem algum mandamento que nos ensine como tratar os nossos irmãos e irmãs?
Um menino, o mais velho de sua família respondeu:
— Não matarás!"

Ops... eu era a caçula. (risos) Mas tudo bem... A coluna do Pedro Block (que agora me fugiu completamente o nome) era um tesouro que eu adorava ter nas mãos e ler e reler.

Talvez tenha sido dessa identificação com meu próprio universo, com as historinhas do Pedro, que outras paixões foram ficando ainda mais fortes, como a paixão pela língua solta da Emília, do Lobato, a crítica sempre afiada da Mafalda, do Quino, os eternos questionamentos e reflexões do Charlie Brown, do Charles Schulz, a pimentice, inquietação e imaginação do Calvin, do Bill Watterson. Talvez todas essas paixões juntas é que foram responsáveis por este serzinho sincrético que hoje vos escreve.

Olhando pra tudo isso, que eu carrego aqui como lembranças de uma parte da infância, é que eu penso que serei criança mesmo quando eu estiver com 150 anos (Vou viver até lá? Não sei... mas se viver vou ser criança sim. risos) Já não tenho aquele aspecto 'minguado' que minha mãe teimava em querer mudar (às vezes, acho que eu parecia a Wednesday. Isso mesmo, aquela da Família Adms.. risos). Já não tenho as longas madeixas que meus pais adoravam, já se passaram longos anos... Mas eu vou continuar a ser a mesma moleca.


Criança na ingenuidade sagaz dos olhos. Na palavra limpa de hipocrisia. No cuidado verdadeiro com seu amor e seu amado. Na confiança real de quem se joga nos braços de que ama, na certeza que ali haverá segurança e não um falso e raso sentimento, apenas com uma capinha de 'desejo'.


Sim, serei criança, como a eterna vida à frente. Crianças cuidam. Lembro do Pequeno Príncipe, que no seu amor mais egoísta deu tudo o que tinha por sua rosa, e por ela aprendeu e viveu.


Hoje taxamos adultos inconseqüentes de "crianças". Que maldade. Rótulo imerecido a eles. Quem não mede as conseqüências de seus atos não merece a nobre honra de ser comparado a estes seres tão sublimes. Dizemos "infantis" àqueles que acham que a vida e o coração alheio são brinquedos. Que tolice. De forma algumas esses merecem essa alcunha. Quem não tem respeito pelo seu próximo mais próximo e pelos seus sentimentos já deixaram, há muito, o 'egocentrismo' infantil. Já galgam as raias do puro egoísmos e 'umbiguismo'. Desde que suas próprias carências sejam supridas, o resto que se adeqüe.

De qualquer forma, que possamos sempre cultivar e resgatar dia após dia nossa criança verdadeira. A que tem a eternidade nos olhos, a coragem de sentir e seguir em frente, a curiosidade que impulsiona a descoberta ingênua, a criticidade pura, a inquietação de quem vive, a palavra limpa, a sensatez simples, dita na hora exata e à pessoa certa, a ironia sutil, o sorriso perene, o amor incondicional e verdadeiro.

Quem sabe descobriremos como é doce o sabor dessa tal liberdade infantil!!!

Quem sabe poderemos finalmente entender o que uma outra criança grande disse:


No player:
Adriana Calcanhoto -
Ciranda de Bailarina

...

Eu???

Eu hoje estou assim,

Inundada de sentimentos

Ausente de mim...

Quer saber?

Me esquece um pouco,

Depois você lembra de mim!

Quem sabe...

Até lá

Eu entenda o caminho

É até possa rir

E dizer:

Nossa!! Como foi lindo!

Só não me peça pra fazer de conta

Porque meus sonhos são tão reais

Quanto o sangue que me corre nas veias.

Os seus não são?

Pena...

Falta-lhes vida!

Ou seria coragem?...


por Cau Alexandre

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Sarah Mclachlan - Fallen

19 março, 2007

Ironicamente séria...

"Nem todas as verdades são para todos os ouvidos"
Humberto Eco

"As verdades podem ser nuas - mas as mentiras precisam de estar vestidas "
Textos judaicos

A ironia do meu ser


Se eu sou irônica? Sim eu sou.

O quanto? Para cada poro meu, para cada fio de cabelo, para cada pensamento que me perpassa... aí reside minha ironia.

Sim, eu sou irônica, pois é na ironia que reside a graça da vida. Criticidade aguçada, língua afiada, olhos atentos e liberdade de se dizer o que se pensa.

Isso dói? Espero que doa.. (risos). Mas não é bem assim. Dói aqui em mim, quando vejo e sinto que algo não encaixa, não se enquadra, ou deveria ser, ou não... aí.. ironia.
Gosto do humor latente do 'ser irônico', embora seja tão doce como o gosto do sangue na ponta da faca. Picadas... Alfinetadas.

O único grande problema é que pra entender a ironia tem-se que ser igualmente irônico ou ao menos inteligente o suficiente.
É, eu sei que dói. Mas a dureza da objetividade fria é maior, e essa incomoda mais.

A ironia que reside no meu ser é fruto da tentativa de rir de mim mesma. Desacreditar no que meus olhos vêem, no que meus ouvidos ouvem, ou ainda, nos caminhos que meus pensamentos vão.

Disseram-me “dura”. Sim, devo ser. E é pela ironia que me amoleço. Pois ao invés de cuspir impropérios, dou-lhe um tapa com luva de pelica. Leve, sutil... suave como vento que lhe toca mansamente a face e lhe arranca pedaços dos lábios.

Gosto de rir muito mais de mim mesma. Pôr-me no lugar de tantos que passam por mim e rir. Rir em ver-me em situações tenebrosas, escandalosamente nefastas em que as pessoas se põe.

Humor irônico beirando o cínico? Não iria tão longe, embora que para se ser realmente livre no pensar – o que reafirmaria o irônico da vida - não se escapa de uma boa dose de cinismo.

Daí advém-me questões como:

Por que um ser, dito inteligente, se põe a ocupar o papel de palhaço num picadeiro de um circo já por todos conhecido? Desejo de brilhar em algum tipo de céu, nem que seja de lona?

Por que na vida, tão dura e fria, se perde tanto tempo ocupando-se do que o outro achou que deveria ter pensado em dizer? Desejo interno de adentrar no pensamento daquele que jamais entenderá os próprios desejos imensuravelmente escondidos até de si mesmo? (Essa nem Freud explica)

Por que alguns ditos seres humanos acham tão interessante brincar com o sentimento daqueles que lhe estendem as mãos? Falta de brinquedos realistas durante a infância?

Não me resta nada se não a ironia, para olhar fundo nos olhos das pessoas e dizer: “C'est la vie. Cada um só dá o que tem”. E rir.

Questiono-me por que é tão mais fácil jogar-se ao engano da vida do que pensar um pouco, um instante... uma fração de segundo antes da queda. Por que é tão mais fácil lamentar um erro cometido em sã consciência, do que admitir que se pôs em posições desfavoráveis por vontade própria e aí não há o que lamentar?

Não me resta nada além da ironia pra expressar: “Quem pariu Mateus que o balance”.

Cada um traça seu caminho. Cada um entrega seu coração a quem deseja. Mas por favor, senhoras e senhores, evitem fazer da vida um palco de seus dramas públicos. Olhem-na nos olhos e digam: Erro porque quero. Padeço se merecer. Mas EU vivo! E vivo como escolhi.

É muito mais honesto consigo mesmo e com a própria vida. Prefiro isso a ver lágrimas pungentes de um crocodilo qualquer que se fez presa dos lobos maus e lobas devoradoras, que multiplicamse nessas nossas florestas cotidianas, achando que era melhor “ser visto (a), ser ouvido (a) e ser comido (a)” e depois ficam lamentando a sorte.

E àqueles que levam a vida a receber tais ‘iguarias’, e disso fazem suas melhores lembranças lembro: Brio há até entre ladrões, mesmo os de coração. Porque há de se ter caráter até pra ser filho da puta.

Quanto a mim, resta-me a ironia que repete em meio a um sorriso torto: Bem que eu te disse... eu te disse... eu te disse.

por Cau Alexandre

E um último segredo gritante:


Não gostou do que leu???


FODA-SE!!!


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Caetano Veloso -
Não enche

17 março, 2007

A um amigo...


Uma Noite de Lua

Tião Queiroz

Cada teu passo na minha areia
Pode até parecer brincadeira
mas...

Nenhuma onda ti desfaz.

Cada minuto do seu tempo
Você talvez nem possa imaginar
Todavia...

Ninguém jamais apagaria

E em cada palavra ou gesto
Que eu me lembro
Eu sou bem mais cúmplice
Que insuspeito

Podem dizer até que eu não presto
Mas eu sou seu amigo de um jeito
Bem desse jeito...

Amigo do seu peito

Se cada sorriso da tua boca
Me fez sentir tão esperto
Contudo...

Seu olhar sempre me deixava mudo

E aquela luz no teu cabelo
Na tua pele, teu corpo inteiro
Para tanto...

Como fugir do seu encanto?

E até que a sombra me revele
Eu me disfarço de deserto
Kalahari...

Até que o teu suor me molhe

Até que os teus olhos me disparem
Aquele afeto, aquele desejo de mulher
MATAHARI...

Até minha vontade ficar nua...

Até...

Até uma outra noite de lua

(Contos d'água salgada)


Há pessoas que por vezes passam na nossa vida. Geralmente na primeira vez essas pessoas passam e deixam marcas. Depois retornam. Depois e depois e depois.
O Tião, autor do texto acima, é um amigo de alguns anos, uns seis, eu acho, e conheci a escrita dele quando ainda era feito em 'repentes' e rompantes. Chamavam-lhe 'tolo'.
Eu lia seus versos disformes e ria... e reclamava dele, apontando uma necessidade de técnica, forma, mas sempre disse a ele que o 'engenho' nele residia.
O tempo nos distanciou. Como se as distâncias geográficas já não fossem suficientes. De tempos em tempos nos 'achávamos' em uma conversa descomprometida, sobre a família, a vida, as musas, que na vida do Tião sempre foram tantas. E ficávamos lá, de papo, sobre tudo o que se passava.
E no decorrer do tempo, sem nenhuma pretensão, ia palpitando naquilo que ele produzia. E fui, alegremente, percebendo que o poeta do 'rompante' amadurecia suas palavras. Talvez junto com os sentimentos, ou não. Já que sentimentos sempre foram o bem maior desse poeta.
E, finalmente, percebi que a poesia 'do Tião' tornara-se adulta. E ele, definitivamente Poeta..
Hoje, o Tião mais uma vez tirou-me as palavras... com um gesto simples, quase imperceptível, talvez até ignorado por muitos. Mas ele ligou o meu lugar mais querido, minha caverna marítima de idéias a sua série de poemas. Seus transbordamentos via Mar de Palavras.
Isso, talvez, não pareça muito. Mas para mim, que prezo tanto àqueles que por um motivo ou outro, ou pela simples falta do que fazer, visitam-me e compartilham comigo meus sentimentos, ah! isso é tudo.
Sinto-me por demais honrada, amigo Tião. E agradeço o seu carinho.
E mesmo nas intempéries desses nossos mares, agradeço por sempre termos sido, de forma tão ingênua e doce esses bons amigos que sempre fomos, sempre e acima de qualquer outro rótulo que tenhamos adquirido na vida.
Obrigada pela lembrança deste Mar, que lhe embalou sonhos, não importando qual fosse a musa que nessas águas se banhava, na sua memória ou na sua inspiração.

Beijos, Bembom.

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Ivan Lins - Vitoriosa

15 março, 2007

Tango...

"O tango é a dança da carne, do desejo, dos corpos entrelaçados. É um diálogo novo, a sedução feita movimento, o ir e o vir, encontro de dois mundos. É um baile exibicionista, esteticamente belo, e ronda sem temores o universo do lúdico. O casal de baile roça seus sapatos entre sensuais carícias enquanto atônito espectador ocasional, eterno ‘voyer’, se fascina e deslumbra com o ardor do tácito romance entre dançarinos..."



"Não diga nada...
Não pense...
E não se mova...

a menos que sinta!!!"



Quero dançar um tango com você.
Um tango quente que me tire a paz
Um tango que me esquente o sangue
Um tango que me aqueça os olhos
Que faça a carne arder e transpirar

Sim... Quero dançar um tango nosso
Sentir meu seio contraído no seu peito
Os rostos tão próximos
Que o meu respirar seja seu
E seu hálito meu

Quero dançar um tango quente
E sentir suas coxas roçando nas minhas
E sua mão vagabunda
Perambulando pelas minhas costas
Caçando notas musicais em mim

Quero dançar um tango contigo
Ah! um tango de ritmo cadenciado
Que nos faça respirar apressado
Que nos conduza os passos
Até seu desejo transpassar o meu vestido

Quero dançar um tango ardente
No seu ritmo cálido
Com suas pernas cruzando as minhas
Em um vai e vêm de delícias
Sim eu quero sentir seu tesão

Quero dançar um tango que lhe mova as mãos
Fazendo-as passear no meu sexo
Sem nexo, sem quieto, sem vergonha
Despudoramente compassado
Irremediavelmente lento
Cadenciadamente forte


Eu quero... um tango picante
Um tango que não acabe com a música
que ecoe nos nossos tímpanos
misturado a delírios e gemidos

E dançar levada por seus braços
Conduzindo-me em movimentos deliciosos
circulares e constantes
Ascendentes e descendentes
Compassadamente infinitos

Quero dançar este tango, querido
E sentir sua boca louca
Em lugares que ninguém duvida
Fazendo-me dançar
Num ritmo só seu

Quero sim, amado
Dançar um tango colado
Meu corpo junto ao seu
Senti-lo dentro de mim
como se de mim nascesse
e morresse em mim

Quero-o por inteiro
Rijo como as notas que não se dobram
Quente como o som que transborda
nos acordes que nos move

Sim... eu quero dançar o tango de nossas vidas
misturar suor e saliva
ao gozo que enfim fluirá
Ao fim desta dança

por Cau Alexandre


Imagens: GettyImages/Marcelo Martins
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Gotan Project - Santa Maria

13 março, 2007

À flor da pele...

SENTIDOS...
Eis o império mais doce e mais cruel
Inteiramente situado dentro do ser!
Sem muros, sem amarras
Faz-nos Imperadores e escravos



Sentir...
A toque suave da mão que te segura
e te apresenta o mundo
A doce voz que te embala o sono
O aroma de quem te alimenta de carinho,
te prepara o ninho e te aconchega




Sentir...
As alegrias da inocência que te fazem sorrir
As tristezas das separações
que te fazem forte
As surpresas das descobertas
que te causam pasmo, brilham nos olhos
e te fazem feliz


Sentir...
O entusiasmo da amizade
que enche o coração
As iras que te fazem inconstante
O gosto agridoce das primeiras paixões
que preenchem os sonhos




Sentir...
A doçura do primeiro beijo
O rubor da primeira paixão inocente
A vergonha de sentir
e não saber disfarçar nem conter




Sentir...
A paixão que dilacera a alma
A loucura que despedaça a calma
A tristeza que mata o ser
e ensina a renascer





Sentir...
O desejo que corta o seio
e alimenta os olhos
A umidade que aquece a carne
A secura que molha a boca,
que tira a roupa, e faz gemer




Sentir...
O pulsar do corpo lascivo que fecha os olhos
Que amarra os pulsos pra soltar a mente
Que puxa a nuca
Que beija a boca
Que morde




Sentir...
A cadência da dança
que arrepia a corpo
Desejo latente
Corpo ardente
Flor da pele
Insanidade,


Sentir...
A paz dos corpos suados
Dos beijos molhados
O prazer bebido em goles
Quase morte... sem sentidos
Insensível... Quase vivo...





Sentir...
A alegria da vida que renasce
A tristeza da vida que se vai
A saudade que nunca passa
O movimento que recomeça





Sentir ...
O tempo que corta tal qual lâmina fria
Que pesa nos ombros
Que abre a mente
Que enche a alma
Que traz a calma buscada a vida inteira



Sentir...
Que é nesse carrossel de sensações
e sentimentos
Nessa corda bamba que nos impulsiona
para o lado que o vento sopra
Que nos equilibramos durante a existência
Entre prazeres e tristezas
Agonias e gozos
Iras e paz




Mas é neste império de sentidos, de sentir, de querer,
que vivemos como imperadores e súditos
e, sendo nós, meros viventes
Não podemos abrir mão de tamanho tesouro
Pois de que adiantam palavras
Se é sentindo que estampamos em nosso ser
Seja dor ou prazer
Surpresa ou ponderação
Aquilo que realmente somos?


por Cau Alexandre

Imagens: Gettyimages

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Nina Simone - Feeling Good