18 março, 2014
A-normal-mente-bela
30 abril, 2013
Pequenas Verdades Sobre a Vida
Aguente as consequências.
Fez?
Assuma seus atos.
Mentiu?
Retrate-se!
Magoou?
Peça perdão.
Mudou?
Deixe que seus atos falem por você.
Ninguém é obrigado a entender, perdoar ou aceitar... você só pode seguir em frente, como todo mundo!
Uma pena que com caráter não possa ser igual...
Transitório e passageiro é diferente do que é perene e contínuo.
07 julho, 2012
Cego é quem acha que ninguém vê...
29 julho, 2009
Silêncio x Falatório

Imagem: GettyImages
Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.
Confúcio
SOBRE O AMAR E O OUVIR
Rubem Alves
Amamos não a pessoa que fala bonito, mas a pessoa que escuta bonito...
A arte de amar e a arte de ouvir estão intimamente ligadas. Não é possível amar uma pessoa que não sabe ouvir.
Os falantes que julgam que por sua fala bonita serão amados são uns tolos. Estão condenados a solidão.
Quem só fala e não sabe ouvir é um chato...
O ato de falar é um ato masculino. Fala é falus: algo que sai, se alonga e procura um orifício onde entrar, o ouvido...
Já o ato de ouvir é feminino: o ouvido é um vazio que se permite ser penetrado.
Não me entenda mal. Não disse que fala é coisa de homem e ouvir é coisa de mulher.
Todos nós somos masculinos e femininos ao mesmo tempo.
Xerazade, quando contava as estórias das 1001 noites para o sultão, estava carinhosamente penetrando os vazios femininos do machão.
E foi dessa escuta feminina do sultão que surgiu o amor.
Não há amor que resista ao falatório.
Presente da minha Inha.
Texto lido por ela pra mim... aqui em casa, pertinho de mim e do livro que ela me deu de presente!
Porque há coisas que não precisam de palavras e há palavras que não precisam ser ditas e nem deveriam! Nem todas as respostas são necessárias... mas aprendemos que, às vezes, as perguntas também são desnecessárias! Mas só às vezes!!!!
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Simon & Garfunkel - Sounds Of Silence
22 julho, 2009
Todo dia!
E foi então que apareceu a raposa:
— Bom dia, disse a raposa.
— Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
— Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
— Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
— Sou uma raposa, disse a raposa.
— Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
— Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
— Ah! Desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:
— Que quer dizer "cativar"?
— Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
— Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
— Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
— Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
— É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços...".
— Criar laços?
— Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
— Começo a compreender, disse o principezinho... Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
— É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
— Oh! Não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
— Num outro planeta?
— Sim.
— Há caçadores nesse planeta?
— Não.
— Que bom. E galinhas?
— Também não.
— Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia:
— Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
— Por favor... cativa-me! Disse ela.
— Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
— A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
— Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
— É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva.Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentará mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
— Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Fugi do dia marcado no calendário... nem todos os dias marcados são o reflexo do que deveriam comemorar! Hoje, num dia comum, comemoro os amigos que me cativaram e aos quais eu cativei. Laços fortes e coloridos, diversificados, lindos, belos, intensos...
Amigos nos fazem especiais, únicos, felizes.
Aos poucos amigos que tenho, minha admiração e meu respeito... não num dia, mas por toda a minha existência.
Nesse momento, sou mais feliz que vocês, pois posso lembrar de como cada um de vocês me cativou e isso me faz sentir muito especial!!! Não que eu seja, mas por merecer o carinho e o tempo de vocês.
Peço licença pra dizer que esse mês foi um dos melhores. Por quê? Porque ganhei em dose dupla.
Tive (e tenho nesse momento) duas das minhas mais preciosas amigas.
Minha Inha, Jacy, que esteve comigo por algumas muito boas e proveitosas e alegres horas e minha Juju, Dri, que está aqui pra ficar alguns dias comigo.
Estou feliz... talvez até mais que elas duas, pois é comigo que vou guardar a lembrança desse momentos tão especiais. Prometo dar vida a essa felicidade em forma de texto, prometo sorrir e chorar, prometo ususfruir essa felicidade que se apresenta a mim em forma de amigas.
Deixo aqui as palavras da minha Inha, que com tamanha maestria expressou um momento de nossa amizade. Um momento distante, mas próximo... um momento passado, mas perene. Não entende? Cativa aleguém... e o chame de AMIGO!
Naquele momento, eu recebia um pouco do outro, para se juntar ao todo que é a nossa amizade.
Encontrei gotas de amor e de amizade, que foram aspergidas gratuitamente no meu ser e ficaram impregnadas para "o sempre", que será o menor tempo de nossa amizade.
Hoje algumas luas depois, pude finalmente "re-encontrar" aqueles olhos... aquela emoção... aquelas mãos amigas... e tudo se confirmava na alegria da amizade cúmplice, verdadeira e "desinteressada" (nosso único interesse é nos contentar mutuamente)."
Jacy Rocha
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Jack Johnson - Were Going To Be Friends/ Lonely Girl Midis
26 fevereiro, 2008
História, Política e Memória
Fidel Castro saiu de cena, mas já entrou para a História faz tempo. O povo cubano lhe será eternamente grato, como foi ontem e é hoje. Todo ódio que a classe média brasileira dedica a Fidel vem de três importantes fontes: 1. da pobreza cultural que lhe é peculiar, que a faz conhecer todos os detalhes de uma casa e seus habitantes dementes como a do Big Brother Brasil mas não lhe permite ter a menor idéia do que se passa em Cuba e nas mentes e corações cubanos; 2. da transferência, para um regime político e seu idealizador, do incômodo e frustração de acreditar no capitalismo como caminho seguro para uma vida feliz e segura, ao mesmo tempo em que é obrigada a viver geográfica e financeiramente próximo da indigência; 3. da ideologia miserável que se apossou, através da midia, das mentes e espíritos dos brasileiros remediados, fazendo-os andar de bunda e nariz empinados e acreditar que podem dar pitaco sobre quem um povo deve ter como líder depois apoiar uma ditadura militar, votar em Collor de Mello, FHC, Paulo Maluf e, ainda hoje, em toda corja que aparece pedindo votos.08 fevereiro, 2007
O mal da felicidade...
O artigo abaixo não expressa exatamente o que pensa esta que vos escreve (embora haja pontos que eu concorde plenamente). Mas é, no mínimo, fonte para uma boa reflexão. Talvez pelo que eu tenha lido ultimamente. Talvez pelo que eu veja ultimamente em pessoas ao meu redor. Vai-se saber... mas certamente é uma leitura interessante.
O romancista e ensaísta francês Pascal Bruckner* publicou 15 livros, ganhou dois importantes prêmios literários europeus, teve uma obra, Lua de Fel, adaptada para o cinema por Roman Polanski e, doutor em letras, deu aulas em Nova York e em San Diego, na Califórnia. Aos 53 anos, mora em Paris com a segunda mulher e a filha, de 7 anos. Bruckner poderia considerar-se um homem feliz, mas isso não combina com seu livro mais recente. A Euforia Perpétua (Ed. Bertrand Brasil) denuncia a fragilidade e a crueldade de uma sociedade que transformou a felicidade em ideal coletivo e obrigatório. 'No mundo ocidental, quem não é feliz se sente excluído e fracassado', afirma o escritor. 'A felicidade é extremamente individual e efêmera por definição. Por isso, as pessoas obcecadas em conquistá-la, como a uma propriedade, sofrem em dobro e se distanciam das pequenas alegrias da vida.' Bruckner concedeu a ÉPOCA** a seguinte entrevista:
ÉPOCA – Como a felicidade se tornou uma tirania?
Pascal Bruckner – No século XVIII, felicidade já deixara de ser um direito para se tornar um dever. Mas essa inversão de valores só se consolidou no século XX, depois de 1968, quando se fez uma revolução em nome do prazer, da alegria, da voluptuosidade. A partir do momento em que o prazer se torna o principal valor de uma sociedade, quem não o atinge vira um indivíduo fora-da-lei.
ÉPOCA – Se é natural ao ser humano buscar a felicidade, onde está o erro?
Bruckner – O erro é esquecer que ninguém pode dizer o que o outro deve procurar, muito menos coletivamente. É perigoso achar que a existência só tem validade se a pessoa encontrar a felicidade. Essa é apenas uma das possibilidades na vida. Há várias outras, como a paixão e a liberdade. Recuso a noção de felicidade como objetivo maior da humanidade.
ÉPOCA – O problema não é o que se considera felicidade hoje?
Bruckner – O problema é a procura. Todos os que buscam a felicidade ficam mais infelizes, porque não se trata de uma caça ao tesouro ou à pedra filosofal. A busca da felicidade está fadada ao fracasso. É como procurar o príncipe encantado. Acabamos por nos privar dos pequenos prazeres e das pequenas alegrias, e ficamos com uma insatisfação permanente.
'A depressão é a doença de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço. Não se tolera mais a fragilidade. Tudo é visto sob o ângulo da patologia. Aí temos de medicar a existência. É desumano. Produto Interno Bruto alto não é sinônimo de povo feliz. A França um dos países mais ricos do mundo, é também onde se consome uma grande quantidade de antidepressivos.'
ÉPOCA – A felicidade transformada em objetivo coletivo é uma questão política?
Bruckner – Muitos países querem se colocar como paraísos terrestres. Enquanto isso, um monte de gente morre de fome. Todos os Estados fascistas ou comunistas queriam padronizar a felicidade do povo. Isso é perigoso. Nenhum governo, patrão ou chefe de Estado tem o direito de nos dizer onde está nossa felicidade.
ÉPOCA – Confunde-se felicidade e bem-estar?
Bruckner – Dinheiro compra bem-estar, conforto, mas nada compra a felicidade. Nos países em que o Estado falha em suprir as necessidades básicas do cidadão, é compreensível que a felicidade seja vista como a ausência da tristeza. Mas ela não deve ser reduzida a uma definição pela negação. Nos países ricos, em que as pessoas dispõem de certa renda, têm casa e comem normalmente, a felicidade não é compulsória. Prova disso é que na França se consome uma enorme quantidade de antidepressivos.
ÉPOCA – Sofrimento virou doença?
Bruckner – Sempre detestamos o sofrimento, é normal. A novidade é que agora as pessoas não têm mais o direito de sofrer. Então, sofre-se em dobro. Querer que as pessoas se calem sobre a dor física ou psicológica é apenas agravar o mal.
ÉPOCA – Felicidade virou símbolo de status?
Bruckner – Mais que o dinheiro, ela é a nova ostentação dos ricos. Eles estão na mídia e exibem seus carros de luxo, sua vida amorosa extraordinária, seu sucesso social, financeiro ou mesmo moral, quando colaboram com instituições beneficentes. A felicidade virou parte da comédia social.
ÉPOCA – Isso aumenta a crença de que ela pode ser conquistada?
Bruckner – Há pessoas que correm a vida inteira atrás dela, e então a felicidade vira uma inquietação permanente. Ou seja, o sujeito já entrou no território da angústia. A felicidade vira uma prisão.
'O Dalai-Lama deixou de lado a herança budista para se tornar acessível. Vende muito e virou referência espiritual para celebridades. Em seus livros, há bom senso, mas também um monte de besteira. No Oriente, a vida é uma seqüência de sofrimentos, ao passo que, no Ocidente, ela virou uma sucessão de gozos, que as pessoas perseguem numa saga quixotesca e patética. No fim, é igual.'
ÉPOCA – E o papel da religião em tudo isso?
Bruckner – O cristianismo coloca a felicidade como o paraíso perdido ou por vir. É a noção da felicidade perfeita, ao pé de Deus. Praticamente todas as religiões falam do sofrimento e nos prometem a felicidade depois desta vida. No catolicismo, o sofrimento é tamanho que o Deus sangra e agoniza. Por outro lado, há cada vez mais religiões que se ocupam da felicidade na Terra, como evangélicos, budistas e hinduístas, por exemplo. Na verdade, nos tornamos todos crentes laicos: tentamos cumprir na Terra o ideal que o cristianismo nos propõe para o céu. Queremos fazer nossa felicidade como os penitentes de outros tempos se flagelavam. Nós nos penitenciamos nas academias de ginástica, no esforço permanente para emagrecer, nos regimes, na obrigação de ter orgasmo.
ÉPOCA – Então nossa busca de felicidade não nos aproxima do hedonismo nem traz uma ruptura com certos valores religiosos?
Bruckner – Curiosamente, todas as revoluções feitas nesse sentido, inclusive a Francesa, desembocam em um ideal ainda muito impregnado de religião. Nosso hedonismo acaba nos mortificando. Agredimos nosso corpo para torná-lo perfeito, musculoso, imortal. As salas de ginástica cada vez mais se parecem com salas de tortura. Carregamos a Inquisição conosco, e ela é o espelho. Continuamos no universo da mutilação, que é medieval.
ÉPOCA – Isso ocorre também no Oriente?
Bruckner – Para os povos orientais, existe a noção de reencarnação. Por um lado, pode-se esperar que a próxima vida seja melhor. Por outro, é preciso viver de forma a evitar as reencarnações e, assim, poder ir ao encontro da alma imortal de Brahma ou Buda. No Ocidente moderno a vida se tornou uma seqüência de gozos. E nossa busca frenética por essa verdade parece a saga de Dom Quixote. É patética.
ÉPOCA – No século XIX, havia o 'mal do século'. Era lindo sofrer. Estamos vivendo isso às avessas?
Bruckner – O 'mal do século' era uma estratégia do individualismo. O burguês era contente e satisfeito, ao passo que o artista exibia sua tristeza para se distinguir da massa. Até a doença se tornou uma forma de singularização. Hoje, a estratégia é a mesma: se distinguir, escapar da miséria comum.
ÉPOCA – Por isso muita gente adota a atitude de ver alegria e perfeição em cada refeição, cada objeto, cada momento?
Bruckner – É a estratégia dos estóicos, de fazer tudo como se fosse a última vez. É uma revalorização da vida cotidiana. É interessante, mas pode ser um mecanismo de autopersuasão, de se convencer da felicidade da própria existência, de evitar ser pego no 'erro'. Essas são pessoas que decidiram imperativamente ser felizes. Isso é muito suspeito, porque todo ser humano tem momentos de tristeza. Tentar esconder isso é se enganar.
ÉPOCA – Os livros de auto-ajuda reforçam que só não é feliz quem não quer?
Bruckner – Esse tipo de literatura sempre existiu. São livros contra as pequenas misérias do cotidiano: como se livrar de uma febre, remover uma mancha. Hoje, no entanto, os temas são mais amplos: promete-se a felicidade. Deepak Chopra, guru das estrelas de Hollywood, faz vários livros sobre o mesmo tema: como ganhar dinheiro, como fazer sucesso. Há sempre um ou dois conselhos que funcionam, mas esse tipo de receita vive muito próximo do charlatanismo.
ÉPOCA – As pessoas felizes são menos interessantes?
Bruckner – Ninguém é feliz ou infeliz o tempo todo. A vida não se divide entre essas duas polaridades. Muito mais importante que a felicidade é a liberdade, a capacidade de enfrentar problemas. A felicidade é um valor secundário, e é bom enfatizar isso para que não se sintam culpadas as pessoas que não chegam a ser felizes.
EPOCA – O que seria a felicidade real, não-idealizada?
Bruckner – Um sentimento sem objeto preestabelecido, algo que muda de acordo com a pessoa, com a época e com a idade. Nós a encontramos em alguns momentos, mas ela é fugidia por natureza, não vem quando a chamamos e às vezes chega quando menos esperamos. Há dois erros básicos na forma como a encaramos atualmente. Um é não reconhecê-la quando acontece ou considerá-la muito banal ou medíocre para acolhê-la. O segundo erro é o desejo de retê-la, como a uma propriedade. Jacques Prévert tem uma frase linda sobre isso: 'Reconheço a felicidade pelo barulho que ela faz ao partir'. A ilusão contemporânea é a da dominação da felicidade. Um triste erro.
*Nascido em Paris em 1948, passou a infância e a adolescência na Áustria e na Suíça. Doutor em letras, deu aulas nos Estados Unidos e publicou 15 livros. Ganhador do prêmio Renaudot, em 1997, por Ladrões de Beleza, e Médicis, em 1995, por A Tentação da Inocência. **ÉPOCA online - Edição 218 - 22/07/02 Grifo nosso.
19 novembro, 2006
Equilíbrio...
"Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir.
*Um sopro de vida
09 setembro, 2006
Olhos de Cassandra...
O que incomoda é sentar-se, vendo passar diante de si o que já se sabe que vai acontecer.
É... às vezes se erra, mas não com tanta freqüência quanto se quer.
Essa espera pelo que já se sabe é amargurante.
Tenho o impulso de tentar mudar as coisas, mas vivo presa por grilhões invisíveis, mais pesados que a minha mente cheia de pensamentos...
Gostaria de ignorar tudo aquilo que me aflige a alma gritando: "Já sabíamos que seria assim".
Conhecer, projetar, concluir... o mal da humanidade é pensar demais.
Gostaria imensamente que alguém retirasse de mim os olhos de Cassandra que tanto tento anuviar, mas que dia após dia me fazem ver o inevitável.
Gostaria que alguém me presenteasse com a doce ignorância de se surpreender com o simples acaso.
Por favor, surpreenda-me...
13 novembro, 2005
E eu... quem sou?

Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei.
Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê, quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo é do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem,
diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li o que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?" Deus sabe, porque o escreveu.
Beijo da Cauzzinh@...
11 setembro, 2005
Quase...
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda!
Que me entristece! Que me mata!
Trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga...
Quem quase passou ainda estuda...
Quem quase morreu está vivo...
Quem quase amou não amou...
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos...
Nas chances que se perdem por medo...
Nas idéias que nunca sairão do papel...
Por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes o que nos leva a escolher uma vida morna...
Ou melhor não me pergunto: Contesto.
A resposta eu sei de cór:
Está estampada na distância e frieza dos sorrisos!
Está na frouxidão dos abraços!
Está na indiferença dos "Bom dia" quase que sussurrados
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima! O amor enlouquece! O desejo trai!
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor... sentir o nada... mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo...
O mar não teria ondas!
Os dias seriam nublados!
O arco-íris em tons de cinza!
O nada não ilumina... Não inspira... Não aflige... Nem acalma...
Apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas
Nem que todas as estrelas estejam ao alcance...
Para as coisas que não podem ser mudadas
Resta-nos somente paciência
Porém preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
É desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão!
Pros fracassos, chance!
Pros amores impossíveis, tempo!
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance! Não é amor!
Não deixe que a saudade sufoque!
Não deixe que a rotina acomode!
Que o medo impeça de tentar!
Desconfie do destino!
Acredite em você!
Gaste mais horas realizando que sonhando
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando ...
Porque, embora quem quase morre esteja vivo...
Quem quase vive já morreu.








