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28 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 10

Do Princípio Diário da Eternidade


Cau Alexandre


Deus me fez intensa demais pra que eu viva de futilidades...

Então, decidi fazer uma faxina profunda.
Catei todos os papéis velhos: velhos bilhetes recebidos, poemas de amores levianos, fotos com sorrisos amarelos, gente que envelheceu na memória, pedidos momentâneos de eternidade que caducaram logo que se deu às costas;
As lembranças são boas, quando nos fazem recordar de quanto crescemos... Melhoramos... Vivemos! As lembranças nos fazem bem quando são impulso pra seguir em frente.
Joguei fora as dores causadas por quem deixou de ser, quem decidiu partir sem motivo aparente ou que, por vontade própria, resolveu desistir, tomando um rumo ainda mais doloroso e solitário... Foi.
Quem fica, decide por 'você'... Quem vai é egoísta ao ponto de preferir sofrer sozinho que ao seu lado.
Abri as gavetas, revolvi os armários e retirei de mim aqueles que amam só de palavras, sem ações. Não que não goste das palavras, ou que não as ache necessárias... Mas não se vive só delas. Reli algumas frases e lembrei que palavras sem sentimentos tranformam-se em poesia vã... Pois é na verdade da escrita que se eterniza as entrelinhas. São as ações, mesmo que pequenas, que marcam a vida pra sempre... Muito mais que grandes palavras.
Arrumei as idéias, alguns sentimentos. Só que alguns deles são difíceis de organizar. Teimam em não ficar quietos... Normal pra um ser tão intenso.
Percebi que não dá pra permanecer somente com as coisas boas que recebemos na vida, mas podemos reciclar tudo que recebemos, mesmo o que não é bom e transformar em coisas boas... em aprendizado, por exemplo.
Olhei para minha parte insensível... aquela que é regida pela objetividade crua. Não sabia o que fazer com ela. Tive medo de não sentir... De um dia tentar jogá-la fora e perceber que só ela me restara. Mas como um ser tão intensamente inquieto poderá um dia deixar de sentir?
Percebi que há males necessários... Aqueles que ajudam a contrabalancear o que somos.
Para quem sente tudo "à flor da pele", há de se deixar de sentir algumas coisas, para poder deixar ir algumas pessoas, para poder abrir espaço a novos migos, para poder abrir o coração a novos amores, para poder continuar sentindo... Porque até quando sentimos demais e o tempo todo, corremos o risco de adormecer demais o coração, banalizando o que um dia foi importante.
Deixei ficar... pra me lembrar que tudo passa... Tudo segue... Que todo amor um dia adormece... Que toda dor um dia finda.
Limpei...
Arrumei...

Ressusrgi...

Pois é assim que tiramos as cinzas das asas da Fenix, para que o vôo do renascimento seja ainda mais instigante. Porque quem nasceu pra ser intensa, usufrui a eternidade em cada um dos momentos da vida!

Há Acaso? Não creio que haja.
Terminando hoje o "Fevereiro de Lembranças" e será no Pedido nº 10 (número das coisas completas) e com um texto simplesmente profundo para e sobre mim! Texto "Do princípio Diário da Eternidade", postado em 14 de setembro de 2008, com a música Fly Away From Here do Aerosmith, pedido nº 2 da Jacy, minha Inha. Amiga que aprendeu a ME ler... não só aos textos, mas a mim mesma. Não tinha me atentado ao pedido em si, até relê-lo para trazê-lo aqui.
Não há acasos... Não há!

Termino o mês como quem começa novamente!
Agradeço os amigos de sempre que leram, pediram ou simplesmente passaram por aqui. Sou grata a cada um de vocês!
Comecemos tudo outra vez... Assim é o princípio diário dessa doce e agradável eternidade!

Beijos...

Cau Alexandre...

25 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 9

SOBRE AMORES E DISTÂNCIAS

Cau Alexandre

Uma história de amor entre tantas...
Algumas de nossas maiores barreiras, no amor principalmente, são as distâncias...
Distâncias físicas ou não... Distâncias quando estamos a muitos quilômetros de alguém, de alguma coisa, de um objetivo. Distâncias quando estamos olhando nos olhos de alguém e ainda assim estamos longe. Distâncias quando estamos tão perto e separados para sempre.
Distâncias quando o que nos separam são as ideologias... As pseudo verdades... O orgulho... O medo!
Há distâncias vencidas através da coragem... Há distâncias vencidas através de um olhar... Há distâncias vencidas através da quebra do orgulho... Há distâncias vencidas no simples ato de se abrir mão de velhos conceitos e somente sentir... só sentir...
Entretanto, há aquelas distâncias que jamais serão vencidas. E, felizmente, àquelas que sempre serão vencidas pelo amor... mesmo que distante.
Eis que sempre há uma bela história de uma pequena-grande distância vencida pela vontade, maior que os problemas, de estar perto... Vontade de vencer a distância... Vontade de vencer a eternidade...
Histórias entre tantas... Que se ouve falar, que se vê, que se sabe, que se vive!



Texto 'Sobre Amores e Distâncias', publicado em 05 de outubro de 2005, e pedido pela minha Linda Gafa de Olhar Feminino, Fá.
Reflexões em forma de crônica. Pensamentos traduzidos em palavras... Talvez tentativas de entender... Talvez esperança! Na época ainda não postava uma música junto ao texto.

23 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 8


ESCRITO NA PELE
Cau Alexandre
O corpo arrepia com o toque
Da tua língua faminta
Que escreve poemas
Em minha pele sedenta

Mãos, olhos, bocas, pele
Um céu de sensações
Meu desejo no teu desejo
E um infinito de gozo

De quando em quando
Um riso, um beijo
E a frase que envolve a alma
Te quero, meu desejo


Texto "Escrito na pele", postado em 20 de novembro de 2007, e é o primeiro pedido da minha 'Inha", Jacy.
Adoro esse texto, me lembra como as coisas que sentimos parecem estar "tatuadas" em nós, logo ali na epiderme. Nada mais sensual que a sensação se ser amada! E como pessoas intensas que somos, nada mais pontual que um texto assim pra nós. (risos)
A música postada com esse texto foi A noite sonhei contigo, da Paulla Toller.

22 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 7

PLURAL E SINGULAR

Cau Alexandre


Dei-me o direito de não ter assunto
Não ter rima
Não ter letra nem melodia.
Dou-me também o direito de não ter cor
E ainda assim ser tagarela, multicor, decassílaba e quaternária.
Hoje quis ser mal criada e dizer impropérios, ser chata.
Que que tem?? Dei-me o direito de ser livre das convenções sociais.
Eu também declarei minhas carências e abri meu coração.
É um risco, eu sei. Mas dei-me o direito de meter os pés pelas mãos.
Hoje eu senti saudades. E chorei por isso.
Por que a estranheza? Dei-me o direito de ser sentimental.
Hoje eu amei. Dei-me o direito de parar de pensar. Ser irracional.
Eu também ri hoje. De mim mesma. Das minhas insanidades, da minha hiperatividade, das besteiras que eu digo e faço, dos meus impulsos incontroláveis de tagarelice.
Eu ri enquanto chorava de saudade.
Tagarelei no meu silêncio. Amei enquanto pude.
Porque hoje eu estava cansada de ser uma só.
Porque hoje eu queria ser todas em uma.
Porque já não importa o que dizem, nem mesmo o que eu venha a dizer.
Hoje eu me dei o direito de ser plural sem deixar de ser singular..
E o dia terminou do mesmo jeito... com meu velho amigo sol me confessando num murmúrio que amanhã eu posso recomeçar e ser tudo outra vez.



Texto "Plural e singular", postado em 28 de fevereiro de 2007 e pedido pela minha Jujuuuuuuuu, Adrianne. Um daqueles momento "revoRRRta". Sabe quando você já tá chutando o 'pau-da-barraca'? Pois é... tenho desses também, em verso e prosa. A Adrianne se identificou com esse (é por isso que ela é minha Juju... ela me entende... risoss). Eu ainda não deixava resgistrado o nome das músicas que iam no post, então... nem imagino o que eu pus pra tocar com esse texto, mas garanto que foi um rock! :oP

20 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 6

"O tango é a dança da carne, do desejo, dos corpos entrelaçados. É um diálogo novo, a sedução feita movimento, o ir e o vir, encontro de dois mundos. É um baile exibicionista, esteticamente belo, e ronda sem temores o universo do lúdico. O casal de baile roça seus sapatos entre sensuais carícias enquanto atônito espectador ocasional, eterno ‘voyer’, se fascina e deslumbra com o ardor do tácito romance entre dançarinos..."



"Não diga nada...
Não pense...
E não se mova...
a menos que sinta!!!"




TANGO
Cau Alexandre
Quero dançar um tango com você.
Um tango quente que me tire a paz
Um tango que me esquente o sangue
Um tango que me aqueça os olhos
Que faça a carne arder e transpirar

Sim... Quero dançar um tango nosso
Sentir meu seio contraído no seu peito
Os rostos tão próximos
Que o meu respirar seja seu
E seu hálito meu

Quero dançar um tango quente
E sentir suas coxas roçando nas minhas
E sua mão vagabunda
Perambulando pelas minhas costas
Caçando notas musicais em mim

Quero dançar um tango contigo
Ah! um tango de ritmo cadenciado
Que nos faça respirar apressado
Que nos conduza os passos
Até seu desejo transpassar o meu vestido

Quero dançar um tango ardente
No seu ritmo cálido
Com suas pernas cruzando as minhas
Em um vai e vêm de delícias
Sim eu quero sentir seu tesão

Quero dançar um tango que lhe mova as mãos
Fazendo-as passear no meu sexo
Sem nexo, sem quieto, sem vergonha
Despudoramente compassado
Irremediavelmente lento
Cadenciadamente forte


Eu quero... um tango picante
Um tango que não acabe com a música
que ecoe nos nossos tímpanos
misturado a delírios e gemidos

E dançar levada por seus braços
Conduzindo-me em movimentos deliciosos
circulares e constantes
Ascendentes e descendentes
Compassadamente infinitos

Quero dançar este tango, querido
E sentir sua boca louca
Em lugares que ninguém duvida
Fazendo-me dançar
Num ritmo só seu

Quero sim, amado
Dançar um tango colado
Meu corpo junto ao seu
Senti-lo dentro de mim
como se de mim nascesse
e morresse em mim

Quero-o por inteiro
Rijo como as notas que não se dobram
Quente como o som que transborda
nos acordes que nos move

Sim... eu quero dançar o tango de nossas vidas
misturar suor e saliva
ao gozo que enfim fluirá
Ao fim desta dança




Texto 'Tango', postado dia 15 de março de 2007 e esse é um pedido pessoal, desta que vos escreve (risos). O que dizer desse texto?!!! Ele me deu a real noção da possibilidade do meu projeto de unir a palavra a uma música, ladeando essa união com a imagem. Há uma explicação linguística-neuro-psicológica-artistica-e-coisa-e-tal pra isso, mas não vem ao caso agora. Só recordo o quão gratificante foi construir esse texto em cima de um som tão forte e marcante quanto um tango. Nesse caso específico, esse texto foi escrito para ser ouvido com o Santa Maria Del Buen Ayre do Gotan Project. Uma batida forte, sensual, características do tango, mas cou uma nova roupagem, renovado, 'repaginado', algo que o Gotan Project faz com maestria. Deixei a música tomar conta de mim e daí nasceram as palavras do texto. Não é uma obra singular, nem em tema, nem em técnica literária... mas é o marco de partida... é o marco daquele 'insite' que nos dá a certeza que eu estava no caminho certo do sonho de unir texto-música-imagem. Tive a ajuda do Marcelo Martins nas imagens.

19 fevereiro, 2010

5 anos - Pedido Nº 5


GOSTO DE GENTE


Cau Alexandre


Gosto de gente...
Gente imperfeita de preferência. Eu não saberia lidar com a perfeição. Quem sabe um dia, devido às crenças com as quais crescemos, eu serei e saberei viver como perfeito. Hoje não sei.
Gente imperfeita é única. Não há outro igual, nem clonando.
Gente de verdade. Humanos com certificado de garantia, ingenuidade, tolice, sensibilidade, imperfeições.
Pessoas comuns que tropeçam e caem e envergonham-se por isso, mas levantam-se e erguem a cabeça e seguem em frente.
Pessoas que dizem o que sentem e pagam o preço por isso, mas permanecem de alma lavada felizes por serem fiéis à própria consciência.
Gosto sim de gente petulante que diz o que pensa, mas que pensa antes de dizer qualquer coisa.
Pessoas que fazem cara feia, dizem não, reclamam, mas são capazes de encher os olhos de água quando vêem alguma coisa que lhes toca a alma.
É... gente que perde a pose, que grita quando está zangado, que vocifera, mas que chora quando se arrepende, pede perdão e não tem vergonha de dizer que errou.
É, eu gosto de gente que se importa ainda, que ama, que enlouquece, mete os pés pelas mãos e que se dane as convenções.
Gente que não se envergonha de dizer "eu te amo" em público, que gosta de pegar na mão, de sonhar de paixão, de se perder de amor.
EU GOSTO DE GENTE!!!
Gente que fica vermelha quando mente e que cala pra não ferir.
Gosto de gente que beija com a mesma intensidade com que discute, apaixonadamente pela boca de quem ama como pelos seus ideais.
Definitivamente eu tenho um tesão imenso por gente realmente inteligente, que é bem humorada, não tão bem intencionado, mas que é capaz de respeitar humanamente seu semelhante.
Gosto de gente amarela, azul, verde, vermelha, roxo-com-bolinhas-brancas, multicor. Gosto dos transparentes e opacos, desde que estes saibam que eu não preciso ser da cor que eles querem... e gostem de mim na cor que for.
Gosto de gente que gosta de gente de verdade. Que abomina almofadinhas e falsos intelectualizados.
Gosto de gente que tem mais que verniz... que é sincero e amante da verdade (mesmo que pra isso diga o que o outro não queira ouvir).
Eu gosto de gente simples, que adora aprender, que ama ensinar e cujos olhos brilham quando pode ser realmente útil.
Eu gosto de gente que ri de verdade, que dá gargalhada que não se importa se vai chamar atenção.
Também gosto dos contidos, que riem com os olhos, que adoram a companhia dos espalhafatosos porque se sentem completos.
Gosto de gente que reclama, cala, chora, ri, briga, releva, ama, goza, dá prazer. Eu gosto sim de gente boa.
Eu não gosto de pseudo gênios, de pseudo filósofos, de pseudo santos, de pseudos. Gênios gostam de rir, filósofos de conversar, santos de ouvir... e nenhum deles gosta de títulos e de pseudos. Todos eles, um dia, aprendem a contar piadas e riem mais que os ouvintes.
Gosto de gente livre. Que não se importa com o que é, muito menos com o que não é... simplesmente o são.
No fim eu gosto é gente... se eu gostasse de perfeição comprava uma estátua grega e ficava feito boba olhando pra ela o dia inteiro no pátio.


Texto 'Gosto de Gente', publicado em 02 de março de 2007 e pedido pela Minha Alma (Aluada) Em Corpo Alheio, pela Vivi e pela Bella (por e-mail). Não me recordo exatamente as circunstâncias da escrita desse texto, mas é ainda hoje exatamente o que eu penso das pessoas e de mim mesma. Não que eu não goste de sonhar, fantasiar e esperar o melhor das pessoas, mas eu gosto de gente de verdade, com defeitos e falhas, pessoas que estão longe da perfeição, mas pessoas que sabem o que é importante na vida, que valorizam essa amizade desprendida de interesses, mas cheia de lealdade. Esse texto me deu uma das maiores alegrias que já tive na Net. Ele foi postado em alguns blogs e sites de mensagens (não sei se ainda continua por lá, risos), mas foi como 'ver' um filho andar por si, independente! Felicidade! Confesso, babei feito uma boba. É algo sem igual ver palavras que sairam de mim e tomaram vida e corpo em outros remotos lugares desse vasto mundo que a Net. Nessa época ainda não postava uma música pra cada texto!

12 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 4

"Amar é mudar a alma de endereço"
Mário Quintana


A DONZELA & O DRAGÃO
Cau Alexandre

Conta uma lenda
Que uma Donzela morava à beira-mar
Caminhava pela areia da praia
E lia poemas olhando o mar


A Donzela olhava o céu
A Donzela olhava o mar
A Donzela só não tinha olhos
Pros moços que a queriam amar


Ela queria um amor estranho
Que em seu coração pulsava
Ela não sabia de onde
Mas sabia que era amada


Um dia caminhava como de costume
Procurando sua pedra de descanso
Quando do fundo das águas emerge
Um terrível Dragão fumegante


Os seus olhos bravos
Seu hálito quente
Suas garras ameaçadoras
Suas asas sem par


A Donzela apavorada
Não sabendo o que fazer
Não se moveu do lugar
Mas o Dragão olhou-a nos olhos
E, enfim, reconheceram-se


A Donzela ainda atônita
Percebeu que não o temia
E que ele não lhe faria mal
Pois, estranhamente, lhe era familiar
Como se o esperasse a vida inteira
E a ele pertencesse


Era seu amor esperado
Escondido entre escamas e fogo
Não um príncipe encantado
Mas o dono do seu amor profundo


A Donzela estendeu a mão para tocá-lo
Ele a princípio recuou
Cena difícil de crer
Uma doce, singela e inofensiva mão feminina
Vencendo pela doçura
o imponente e milenar Dragão


— Eu sabia que me encontrarias
Sempre te chamei
Acendi um farol no peito
E sabia que te guiaria.


Amaram-se de olhar-se
E dia após dia encontravam-se
logo ao raiar do dia
Na praia daquele mar

Ele tão grande, tão forte, tão misterioso
Atrás de suas garras, suas duras escamas e seu fogo
Ela tão doce, delicada, constante
De olhos atentos, sorriso meigo e mão segura


O milenar Dragão ouvia a pequena Donzela
Bebia suas palavras
que como pequenas fagulhas
saídas de sua rosada boca
lhe tocavam o coração


Agora como ouvinte visível
Mostrando-se e sendo visto
Revelando-se e descobrindo
Ele poderia simplesmente
Ficar ali, e ouvir... ouvir... e sentir.


Foi num belo amanhecer
Que o Dragão resolveu
O seu silêncio quebrar.
Olhou a Donzela firmemente
E decidido sentiu que era hora de dizer


— Quero dar-te meu coração.


A Donzela não podendo conter a alegria
Uma vez que seu amado Dragão lhe falava
Feliz pelo que ouvia
Não imaginava o que isso significava


Ele tomou-a cuidadosamente
Levou-a bem perto de si
e disse, o mais suavemente
que um dragão pode ser:


— Tenho direito a uma vida mortal
Apenas por um dia... apenas uma vez na vida
Depois disso morro
Mas posso doar a parte que me é mais cara
A alguém que eu desejar
Posso entregar meu coração
A quem comigo ficar.


Ouvindo aquilo a Donzela chorou
Disse não querer que seu amado morresse
Preferiria ela mesma a morte
A perder seu amor agora presente


O Dragão de sua imponente postura
Nos seus milênios de sabedoria
Fitou-as nos olhos
O mais grave que ele podia
E disse-lhe:


— De que me valeria uma outra eternidade
Se contigo eu não partilhasse
Ao menos na vida um dia?


Entrego a ti meu coração e não temo
Pois amaste-me antes de me conhecer
Venceste-me com um suave toque da mão
Acompanhaste-me durante todas as estações
E vieste de bom grado sempre ao meu lado.
Nada mais preciso pra eternidade
Além de saber que meu maior tesouro
Está contigo guardado .


A Donzela olhou-o firmemente
Fechou os olhos por um instante
E disse em seguida:


— Aceito sua proposta de contigo partilhas
Essa breve existência humana e
comigo carregar parte de ti em meu coração
mas peço-te apenas
o direito a um pedido realizado

O sábio Dragão sorriu
De um jeito que só os dragões sabem fazer
E assegurou-lhe que fosse qual fosse o pedido
De bom grado ele realizaria para o seu amor.


O milenar Dragão pôs a Donzela no chão
Ergueu as escamas que ficavam à altura do seu peito
Retirou de lá o coração pulsante
E mandou que a donzela o tocasse


Cena repulsiva seria
Se não fosse adornada de tão grande amor
E ao toque da delicada mão da donzela
O coração em estrelas se transformou

Uma dorzinha ela sentiu no peito
Parecia que arrancavam-lhe um pedaço
Fechou os olhos de dor
E então sentiu as mãos quentes que lhe seguravam


Abrindo os olhos viu um rapaz
Olhos escuros que lhe fitavam
E com um sorriso lhe saudava
O hálito quente que tão perto lhe dizia:


— Sou eu meu amor, aquele a quem amaste
Mesmo quando só o exterior conhecias
Agora faço-te minha, assim como fui feito teu.


— A dor que sentis-te era parte do meu coração
Tomando lugar junto ao teu
Pois parte do teu agora também é meu
E juntos permaneceão para sempre


Dali os amantes sumiram
E em certeza de amor sem fim amaram-se
Trocando carinhos, beijos, olhares
Uniram-se fazendo-se um só


Sublime foi o encontro dos corpos
Não mais que havia sido o encontro das almas
Já não se sabia quem era a fera ou a bela
De tão unidos estavam


Deleite, transbordamento
Cansaço, descanso
Palavras que se multiplicavam
Tempo que se esvazia


Quando já no céu as estrelas se escondiam
Os raios de sol despontava muito além... longe ainda
Aquele que um dia fora dragão
Toma as mãos de sua amada
E beija-a com um beijo quase sem fim


Contorna-lhe a face com as mãos
Toca-lhe toda a estrutura do corpo
E por fim fita-lhe os olhos


— Não chores... é hora de ir.
Mas certamente nunca irei
Pois fico em ti
Deixo em ti minha marca
Pra que nunca te esqueças de mim


A Donzela mais que depressa
Lembrou ao seu amado que um dia fora dragão
Que ainda restava-lhe o desejo
E docemente ao ouvido
sussurrou-lhe o pedido


O dragão, em forma de homem, sorriu
E lhe disse que seu pedido seria realizado
Novamente beijou sua Donzela
E no beijo um manto de luzes os cercou
e um mar de estrelas os envolveu


E ambos, Donzela e Dragão
Subiram em meio à luz
Enfim, juntos eternamente


E dali em diante, naquele lugar à beira mar
As estrelas cintilantes
Brilhavam mais ali
Que em qualquer outro lugar



Texto 'A Donzela & o Dragão', postado em 16 de março de 2008. Um pedido das minhas sócias: A Minha Alma Brisa e Aluada e da Lonely. Sobre o texto? Um momento ímpar... Talvez nascido daqueles desejos infantis de conto de fadas, talvez delírios de poeta, talvez sim, talvez não... A música postada com o texto foi Cannonball, do Damien Rice.

11 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 3


Imagem - Gettyimages

CONVERSINHA
Cau Alexandre

— Sabe Coração... Fico aqui pensando, pensando. Tentando entender por que por mais que doa sentir, nunca deixamos de tentar... acreditar... querer. Por que mesmo sabendo que sofremos com a saudade e que as histórias são sempre parecidas e que, na maioria, têm o mesmo fim, ainda queremos tentar novamente... e novamente... e novamente?

— Diz pra mim: Vive-se pela quantidade de vezes que o coração bate ou pela quantidade de vezes que ele dói?

— É, Coração, tens razão... e quanto mais acelerado você bate, mais essa sensação de estar viva invade a gente.

— Então apenas viva... quem sabe um dia de cada vez. Geralmente só se sente o sabor quando se experimenta em pequenas porções.

— Então, por que não? Não é, Coração?



Texto 'Conversinha', postado em 11 de março de 2008 e pedido pela Lonely, que aliás, foi a mola propulsora dele. Foi ela quem me perguntou se "a gente vive pela quantidade de vezes que o coração dói ou pela quantidade de vezes que ele acelera?" Como podem perceber, chegamos ao consenso... não valeria nada se não acelerássemos um pouquinho. A vida em plena estabilidade e segurança é ótima... mas não preenche, não satisfaz. É a busca pelos momentos que nso tiram o fôlego e aceleram o coração que nos impulsiona. Acabei lembrando de outros dois bons textos. Um do Meu amado Quintana, chamado 'Da Eterna Procura' que diz: Só o desejo inquieto, que não passa,/ Faz o encanto da coisa desejada…/ E terminamos desdenhando a caça/ Pela doida aventura da caçada. O outro é uma adaptação do romance 'Divã', da Martha Medeiros, (dito na maravilhosa atuação da Lilian Cabral, encarnando a Mercedes da peça homônima): "Tenho medo de ser feliz pra sempre". A Música do post foi Anjo, da Daniela Mercury e Banda Eva.



10 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 2


DESIDERATA


Cau Alexandre


Desejo que a cada novo ano sejamos mais humanos.
E na arte de humanos ser,
que nunca percamos a capacidade de sonhar!
E sonhando, jamais esqueçamos a importância de desejar!
E desejando, não percamos o rumo da busca.
E buscando, não paremos de olhar
para o que realmente importa.
E olhando, que possamos ver aquilo
que faz a vida valer a pena:


A beleza da flor que nasce espontaneamente no caminho
Os pássaros cantando na copas de árvores esquecidas
As frutas que gratuitamente nos ofertam vida
As nuvens que juntas nos presenteiam com a sombra
O sol que silenciosamente nos aquece a alma
A chuva que refresca o corpo
O corpo que nos garante o caminhar!


Desejo que sendo mais humanos
aprendamos a ser mais benignos.
E na benignidade sejamos bondosos não só com os outros,
Mas também com nós mesmos
E sendo bondosos nos permitamos sonhar o impossível
E assim, sejamos capazes de buscar estrelas
Dentro dos olhos felizes de quem nos sorri
E buscando estrelas não nos ceguemos pela obstinação
E vendo claramente, que possamos sorri de volta
E sorrindo, recordemos tudo que nos faz feliz:


As mãos que nos afagam com genuíno cuidado
A boca que nos beija com legítimo amor
O amigo simples e perene
A simplicidade abundante que satisfaz a alma
A fé incansável que alimenta o espírito


Desejo que sejamos mais humanos
E então fujamos da autopiedade e da passividade mórbida
E dando um brado de liberdade de nós mesmos
Que descortinemos nossos próprios erros
E enxergando nossas imperfeições,
sejamos capazes de perdoar
A nós, sem autoflagelação e aos outros, sem sarcasmo
E perdoando, fujamos dos discursos vazios
de fraternidade sem sentido e falso amor
E fugindo, que achemos a companhia dos amigos verdadeiros
E encontremos o renovo do sentimento
E renovados que demos as mãos num abraço de almas irmãs


Desejo a você mais humanidade
A mesma que arde feito chama dentro do seu próprio peito
A mesma humanidade que nos faz falhos, imperfeitos e únicos
E dentro desta assustadora perspectiva
Banhados em lágrimas salgadas de dor e alegria
Que tomemos a decisão de desejar, buscar, crer, lembrar, ver
E amar sem limites, sem fronteiras, sem barreiras
Amar com intensidade, calor e veemência
Amar, simplesmente amar
Sem as lembranças que magoam
Sem as imagens que ferem


Ser humano é ser capaz de superar-se, acima de tudo!
E ser capaz de amar!



A Minha Alma em Corpo Alheio (Brisa Nordeste Aluada e Meia) pediu o texto 'Desiderata' (o primeiro pedido), publicado em 30 de desembro de 2009 (dia desses, como diria ela). Foi um texto comemorativo, para o ano novo que se iniciava... E até aqui, tem trazido toda sorte de coisas boas e felicidades. Isso me lembra que tenho surpresa pra todos que me lêem... Mas isso eu conto depois. (risos) O texto foi acompanhado pela música Desejo de Flávia Wenceslau. Foi um texto muito gostoso de escrever, porque trata de desejos profundos, presentes ansiados para quem amamos e isso vai além do aspeto comercial da data. Marca também uma fase de junção... o ritmo e a forma. embora esteja mais pra uma prosa poética, o texto "canta".

09 fevereiro, 2010

5 Anos - Pedido Nº 1

DESPEDIDA!

Cau Alexandre

Hoje lhe dou asas! Aprenda a voar e veja que não precisa se prender a mim para sentir-se grande quando me olha e me acha tão pequena. Abra suas asas e vá. O Adeus é inevitavel. Você já havia se despedido quando tomou suas decisões... despediu-se sem mim!

Hoje, tiro as correntes dos rótulos e dos laços, nada mais lhe ata a mim. Já pode ir. A decisão é sua... mas você já traçou o seu caminho. Viva dele! Aproveite e aprenda a caminhar livremente. Eu sepulto as lembranças, provas de que um dia caminhamos juntamente e na terra revolvida planto rosas, lembranças mais bonitas sobre lágrimas derramadas.

Hoje me faço livre... livre de toda incerteza de como será o futuro, de como será o fim. Porque hoje eu decidi retomar o meu caminho, de quem sou, de quem sente, de quem jamais vai se calar, ou vai deixar de rir, ou deixar de amar. Porque hoje a minha paz é diferente da sua, porque na minha você está livre! E não imponho minha presença, nem minha verdade, nem minha certeza. Porque na minha eu lhe provi de asas e lhe permiti voar seja lá aonde você queira ir.

Só me perdoe se não posso ir com você... Porque hoje a minha liberdade segue a brisa quente do verão que me impele a navegar. Que seus bosques sejam eternamente floridos, como eternamente belo é o meu mar!

Texto 'Despedida', escrito e postado em 11 de agosto de 2009.
Não houve música para esse post... o silêncio era maior.
Pedido da Victoria Secret, minha gentil leitora e bondosa amiga! (Bom ter amigos que nos lêem... já não passo vergonha... risos)